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Protocolo de Extermínio | Filme precisa de mais paciência para sua caça

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Diretor de Godzilla vs Kong traz comentário social potente com Protocolo de Extermínio, mas falta impacto.


Se teve um gênero bem-sucedido em 2026, foi o terror. Se iniciamos o ano com Extermínio: O Templo de Ossos posteriormente vieram outros ótimos longas tais como Socorro, Obsessão, A Morte do Demônio: Em Chamas e Resident Evil. Tratam-se de produções que alternaram entre diversas variantes, do psicológico à trasheira desavergonhada.

Protocolo de Extermínio quer se situar justamente neste nicho. Vendendo-se como um herdeiro do cinema Grindhouse ao contar com uma trama assumidamente exagerada com certo teor sociológico, o novo filme de Adam Wingard (alçado ao sucesso ao comandar a franquia Godzilla vs Kong) tem diversos traços que devem chamar atenção do público fã de tiros explodindo crânios, motosserras e filtros amarelados. Segmento do qual, admito, pertenço.

Na trama, temos um experimento de Super Soldados comandado por um cientista de um tipo conhecido (Dan Stevens, retomando a parceria com Wingard). Não demora até que estes dêem cabo de seu criador e partam para a caça. Quando estes chegam numa área humilde na qual uma sniper (Adria Arjona) precisa cuidar da filha, a matança se eleva e temos a nossa narrativa.



O que surpreende é que, dos 92 minutos de projeção, há um período considerável tanto para estruturar o processo de criação dos inimigos imparáveis da vez, com direito a uma cena envolvendo Rebecca Hall e Stevens que deixaria Tarantino maluco. Além disso, passamos um bom tempo também acompanhando a protagonista, podendo perceber sua eficiência como atiradora e soldado, suas paranoias herdadas do período militar e de seus relacionamentos pregressos e sua devoção à filha.

Além disso, o longa trata de uma temática já trabalhada em outras produções tais como Rambo: O descarte de veteranos após guerras. Não é à toa que passamos maior parte do tempo dentro do conjunto habitacional acompanhando tanto uma mulher latina quanto um veterano negro da Guerra do Vietnã. Trata-se de uma recontextualização das longas estradas de guerra trazido para um mundo interessado em entender as diferenças sociais. Tudo muito saudável, e quem viu o trabalho anterior de Wingard sabe que ele sabe estabelecer imagens interessantes.



O destaque fica para o plano que acompanha um sujeito dentro de um mercadinho, culminando na sangreira que tanto esperamos. Porém, não espere grandes recompensas na hora da entrega. A caçada dos monstros é rápida demais. Os confrontos terminam imediatamente, e a luta final mais parece uma transição rumo ao segundo ato. Além disso, há uma inconsistência imediata quanto à protagonista, que vai de atiradora letal a alguém que depende de diversos Deus Ex Machina para manter-se viva até o final.

Por mais que o elenco esteja mais que engajado na empreitada (Arjona merece o posto de Mulher Maravilha caso os rumores recentes sejam verdadeiros), Protocolo de Extermínio, não entrega tudo que estes ou o público merecem. Mesmo posicionando-se num nicho do qual se espera pouca ambição, Wingard, em sua tentativa de enfatizar a alegoria, esvazia seu impacto ao não dedicar atenção suficiente à caça para a qual passamos uma hora sendo preparados.

Caso desejem um exemplo de filme recente também herdeiro do Grindhouse, mas que equilibra bem comentários sociais com uma história impactante, vejam Eles Vão te Matar.


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