Mortal Kombat 2 entrega lutas brutais e fan service de sobra, mas tropeça em uma narrativa irregular e personagens pouco desenvolvidos.
Vou falar a real, que bom que a Warner seguiu adiante com a sequência de Mortal Kombat. Não existe mistério pra contar essa história, mas me incomoda muito o downgrade narrativo que ela tem em comparação ao primeiro filme, que já não era lá um primor. Tá, eu sei que cobrar um bom roteiro pra um filme de Mortal Kombat é covardia, mas… não precisava piorar esse ponto, né?
O começo de Mortal Kombat 2 é confuso e o motivo é simples: quiseram contar duas histórias ao mesmo tempo. Isso nem chega a ser uma novidade, já que no primeiro filme essa estratégia também foi feita e, pasmem, foi errada também! Já te explico.
Em Mortal Kombat temos a treta entre Scorpion e Sub-Zero (ótima!) e a trama de Cole Young, que é um dos escolhidos pra participar do Mortal Kombat (falar que essa trama é péssima chega ser um elogio). Mas apesar de péssima, ela é construída do jeito certo. Logo, a sensação de uma “história bem contada” tá ali. Esse protagonismo dividido funciona, ainda mais que não temos de fato o torneio acontecendo nesse primeiro filme.

Agora no 2 temos novos protagonistas, a história da princesa Kitana e toda sua relação com Shao Kahn é ótima e segue um bom fluxo, o problema fica na outra parte da história, que agora tem Johnny Cage como protagonista. Foi um ótimo ajuste de rota trazer um personagem querido pelos fãs pra assumir um papel que já deveria ter sido dele antes, mas o problema é: já gastamos esse cartucho com Cole Young, logo, a história de Johnny Cage precisou ter a profundidade de um pires.
Ainda assim, o Johnny Cage de Karl Urban é divertido e faz você soltar boas risadas, mas falta algo nele pra que a gente se importe de verdade. O chamado profético, a recusa a esse chamado e a redenção acontece tão rápido que parece falso. Diferente de Kitana, que já vive nesse mundo e não precisou passar por essas etapas, a construção de tudo até que ela chegue em seu clímax, é perfeita!
Esse contrapeso entre uma história bem/mal contada é o que torna Mortal Kombat 2 irregular. Em determinado momento as histórias se cruzam, surgem inconsistências e é preciso ter aquela boa fé de só deixar o barco seguir e curtir a violência. Ponto esse que é muito bem feito, viu? Então, sim, dá pra você fechar os olhos pra isso e seguir adiante curtindo toda a matança.

As lutas são muito bem coreografadas, dando aquela tensão sobre qual personagem pode acabar morrendo no fim do combate. E isso é realmente divertido, pois é possível ver, de fato, um tentando matar o outro em um combate mortal.
Toda a violência dos fatalities, ou mesmo brutalities, estão presentes de forma criativa, assim como alguns cenários que parecem ter saído das telas dos games. Isso pode parecer um fan service bobo, mas é o que dá aquela sensação de você olhar e reconhecer a franquia.
No fim, Mortal Kombat 2 diverte se você for esperando lutas e mortes, mas pode te deixar desapontado se você quiser uma trama bem elaborada e personagens desenvolvidos. Meu conselho? Só se joga porque não é todo dia que a galera capricha na violência e caracterização.
Motal Kombat 2 – Trailer

Publicitário e jornalista que é apaixonado por cultura pop, coleciona tudo que vê pela frente, adora uma piada ruim e ama a revisora desse site.