Homem-Aranha: Um Novo Dia resgata o lado mais urbano e solitário de Peter Parker no MCU, com Justiceiro, Hulk e dilemas que aproximam o herói de suas raízes nos quadrinhos.
Apesar das boas bilheterias e de um terceiro filme que entrou pra história, o Homem-Aranha do Tom Holland ainda não havia caído (de fato) nas graças do público. Confesso que a dependência do Homem de ferro também me incomodava, mas nada que tirasse o brilho do personagem, que provou, em mais de uma ocasião, não depender de seu padrinho na hora que bicho pegou.
Bem, chegou Um Novo Dia, que trouxe de volta a versão mais ferrada, solitária e pobre do herói. Em outras palavras, o Homem-Aranha que o povo tanto clamou. Agora Peter Parker vive com o peso de sua escolha e o arrependimento de não cumprir sua promessa de procurar Ned e MJ. É o fardo do seu Homem-Aranha. Grandes poderes, grandes responsabilidades. Mas sempre com seu habitual bom humor e seriedade pra fazer o que é certo.

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É nítido ver o quanto Peter amadureceu após os eventos de Sem Volta Para Casa. Ele é um herói muito mais confiante e cada vez mais focado em sua missão (ou a palavra seria obcecado?). Peter agora tem aliados na polícia e a cidade está segura. Mas esse sucesso teve um preço: solidão.
Os dilemas sobre o equilíbrio entre a vida heroica e particular é um grande pilar da vida do nosso amado escalador de paredes, e que já foi muito bem explorado, principalmente em Homem-Aranha 2 e em O Espetacular Homem-Aranha 2.
O legal é ver que cada Homem-Aranha acabou lidando com esse dilema de forma muito particular. Enquanto o Peter do Tobey buscava se fazer presente na vida acadêmica, profissional e amorosa, o Peter de Andrew não queria abrir mão de seu grande amor. Esse eterno conflito da responsabilidade de ser o Homem-Aranha era a peça que faltava pro menino Holland. E que agora não falta mais.

Uma das coisas mais legais nesse retorno às origens aracnídeas, e não me entenda mal aqui, é a inserção de elementos mais urbanos, começando pela escolha do Justiceiro pra fazer uma pontinha, sempre muito bem representado por Jon Bernthal. Fala sério, ver o Homem-Aranha tacar uma teia pra calar a boca do Justiceiro é uma coisa de saltar os olhos, sem sacanagem. Todas as interações entre eles são sensacionais e te fazem lembrar daquele amigo que você adora bater boca (mas que você não vive sem).
O mesmo serve pro Hulk, que é muito bom ver de volta ao seu lado mais agressivo. Eu até gosto do Professor Hulk, mas confesso que já tava na hora dele descansar um pouco. Já tava com saudade do Hulk esmagar alguma coisa. Isso nos dá uma bela prévia do que podemos ver em Guerras Secretas.

Agora uma coisa bem curiosa é que, apesar de termos vilões da galeria do Homem-Aranha, nenhum deles é o principal e o antagonismo ficou com outra pessoa. O que acabou criando uma situação onde não tivemos o famoso hype pelo vilão da vez. Isso mostra a força do filme, que mesmo com a ausência de alguém “forte” da galeria, se sustentou com uma boa história e foco em seu protagonista.
Homem-Aranha: Um Novo Dia, marca um bom capítulo de recomeço pra Marvel, que vem colecionando resultados ruins com o público, apesar de algumas boas produções recentes, como Quarteto Fantástico e Thunderbolts*. E convenhamos, eles não tinham o direito de errar logo com o Aranha.
Só queria finalizar agradecendo ao diretor Destin Daniel Cretton pela dose de gibizão e de menos sensação de fundo verde. Que filmão!

Publicitário e jornalista que é apaixonado por cultura pop, coleciona tudo que vê pela frente, adora uma piada ruim e ama a revisora desse site.