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A morte de Robin Hood | O mito tem que morrer  

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A morte de Robin Hood, com Hugh Jackman, traz o herói, antes galante, querendo se livrar de seus títulos.


Em menos de um mês, assisti a três filmes envolvendo Robin Hood. O fora da lei inglês é uma figura cuja mitologia é tão extensa que já protagonizou dezenas de produções cinematográficas. Tendo sido seu último grande sucesso a versão com Kevin Costner, houve tentativas frustradas de tentar reviver o mito e, com isso atrair um novo público, com a última tendo sido protagonizada por Taron Egerton em 2018. 

Já que investir orçamentos milionários nesta marca não trouxe os resultados esperados, a tentativa agora é de fazer uma reimaginação sombria, com o personagem não sendo o herói alardeado por “roubar dos ricos para dar aos pobres”. Agora, o arqueiro é um sujeito amargurado, lidando com anos de matança e com o peso disso, seja por boas ou más razões. 



Na história, Robin Hood (Hugh Jackman), após uma luta violenta, inicialmente abandonado para a morte, encontra-se numa comunidade onde pessoas feridas e empobrecidas podem encontrar um lar. Acolhido por uma curandeira (Jodie Comer) e estabelecendo uma inesperada amizade com um leproso (Murray Bartlett), o sujeito se depara com o próprio passado quando a filha de seu antigo parceiro de aventuras o encontra na comunidade. 

Existe muita familiaridade, com o Robin Hood da narrativa remetendo muito mais ao Wolverine interpretado por Jackman na Fox. A amargura por atos de violência passados, a descoberta de um possível recomeço em meio a uma comunidade de renegados, o paternalismo descoberto com o surgimento de uma menina fugitiva, são apenas alguns dos elementos que já pudemos ver bastante nos últimos vinte anos.

O diferencial aqui é a abordagem sobre mitos e lendas. A necessidade de sustentar um nome além do que foi difundido e de preservar o humano antes do mitológico é o valor afirmado constantemente pelo anti-herói em suas interações tanto com João Pequeno (Bill Skarsgård, irreconhecível) e sua filha (Faith Delaney). Em um período no qual as máscaras são tão obrigatórias que o próprio conceito de identidade secreta para heróis teve de ser recontextualizado, é de se entender por que um herói antigo agora rechaça tanto o tratamento como tal. 



Na direção, Michael Sarnoski alterna entre os frames no rosto dos atores, aproveitando a expressividade raivosa de Hugh Jackman, e outros mais abertos. Há uma mudança de aspecto de tela, removendo barras superiores e inferiores para composições mais altas a partir do encontro com uma nova civilização. Aproveitando também abordagens difundidas pelo cinema brutal conduzido por Mel Gibson em produções tais como Apocalypto, os quadros longos são mais sustentados em momentos de tensão e fúria, com as trocas de diálogos triviais contando com cortes mais rápidos. Aproveita-se a fotografia suave de Pat Scola, que aproveita o frame mais alto para trazer maior diversidade de cores. A trilha, por sua vez, sustenta-se nos cantos folclóricos, remetendo à ideia de emancipação do mito.

Faz-se necessário um claro alinhamento de expectativas: Para o público que busca por histórias de redenção baseadas em contextos de violência a lá Logan, A Morte de Robin Hood deve suprir as necessidades. O início é mais devagar porém, paradoxalmente, quando o filme se livra da necessidade de impacto pela fisicalidade, torna-se mais fluído, conforme os personagens interagem. Não espere o herói carismático de outrora, porém para o niilismo crescente dos anos 2020, as coisas estão em seu lugar.


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