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Galinha Pintadinha – o filme | Uma conquista técnica do Brasil

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Animação brasileira, Galinha Pintadinha – o filme, vai conquistar as crianças e dar uma hora de tranquilidade aos pais.


Os brasileiros sempre encararam de frente o desafio de não depender de produções estrangeiras para entreter as crianças. Mesmo tendo aberto as portas à Disney, aos animes e aos desenhos educativos de diversos países fora do eixo Hollywoodiano (nicho onde a TV Cultura brilha), aqui foi a incubadora que originou o Castelo Rá Tim Bum, o Fofão, Mundo da Lua, e muitas outras obras memoráveis que marcaram infâncias de diversas décadas. No cinema, um dos primeiros registros foi com O Dragãozinho Manso, de 1942, e, posteriormente, O Saci, de 1951, mesmo ano que a Disney lançou Alice no País das Maravilhas. O cinema brasileiro pode ser escasso de recursos, porém nunca de valentia. 

O que nos trás à Galinha Pintadinha. Após duas décadas de sucesso, chegou a hora desta ganhar um longa-metragem. Na história, a personagem e o Galo Carijó estão no aguardo de uma cegonha (cujo ar distraído ecoa de forma apropriada a de Dumbo) que traga o ovo de seu filho. O problema é que, após um incidente de voo, o pássaro troca o ovo da personagem-título com o do temido Gavião. Após ser julgada como subversiva junto do marido por abrigar o filhote de uma criatura vista como maléfica pela população de galinhas, a protagonista e seu marido tornam-se foragidos, com a primeira partindo numa jornada para devolver o filhote do Gavião e, com isso, obter seu próprio.



Uma das preocupações recorrentes com conteúdos familiares é com o excesso de estímulos por cortes rápidos, sons estridentes ou narrativas as quais exigem movimentação ininterrupta. A Galinha Pintadinha, O Filme passa longe disso. Sim, há muita cor e humor feito sob medida para crianças até os cinco anos de idade, porém a narrativa faz questão de ter muitos momentos em que a animação e a música tomam a condução.

Há também um cuidado saudável em trazer um arco claro para a protagonista, a qual literal e metaforicamente ganha a própria voz. Diversas mensagens são apropriadas para o público infantil, tais como a importância de não se guiar pelas aparências. Outras parecem mais guiadas para os adultos, especialmente o comentário humorado sobre um personagem militarizado o qual serve como um dos antagonistas.

Por fim, a animação é belíssima: Fazendo uso de tecnologia de computação gráfica a qual busca remeter ao 2D, o longa mescla menor quantidade de quadros com detalhes de texturas e profundidade visual. Levando-se em conta os altos custos de produção para animação no Brasil, o trabalho de se elevar a técnica além do tradicional é louvável. A Galinha Pintadinha pode ser uma produção para os pequenos, porém é improvável que os pais se incomodem. A tradição do cancioneiro volta com boa técnica e uma história sempre agradável.



Vale complementar que a cabine de imprensa veio acompanhada com uma coletiva de imprensa na qual os diretores e criadores Juliano Prado e Marcos Luporini juntamente com as atrizes Hannah Buttel e Vera Fuzaro falaram sobre a realização do longa e responderam a perguntas da imprensa. A representação da Tópico 42 citou o ritmo mais suave do longa em contraste com produções pautadas por estímulos constantes de edição e cores, questionando como foi o processo para encontrar o tom apropriado. Os diretores, felizes pelo apontamento, mencionaram que nos cinco anos de produção, desde o processo de storyboard foi considerada a necessidade de um ritmo o qual fosse distinto de algo que forçasse o público pelo estímulo. Logo, foi um processo longo o qual teve resultado positivo. 

Com direção de Juliano Prado e Marcos Luporini, produção da Bromélia Produções e distribuição da Imagem Filmes, Galinha Pintadinha – O Filme chega aos cinemas no dia 1º de outubro.

Confira o trailer de Galinha Pintadinha – O filme:


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