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Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette | A Tragédia Grega de Ryan Murphy

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Assim como Ícaro, Carolyn voou perto demais do sol e o inevitável aconteceu em Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette.


Existe algo irresistível em saber sobre a vida de pessoas famosas, grandes personalidades: um desejo inerente de observá-las de perto, seja pelo desejo de ter o que elas têm ou até mesmo pela raiva que seus privilégios podem provocar. A fofoca movimenta toda uma indústria e, nos anos 90, ajudou a vender muitos jornais e revistas pelo mundo. Então, como resistir a uma série que revela a intimidade de um dos casais mais famosos do mundo? Ryan Murphy se utiliza dessa curiosidade para atrair espectadores para a sua nova série, ao mesmo tempo em que critica como esse interesse e a exploração dessas pessoas podem ser prejudiciais.

Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette explora as nuances do relacionamento de um dos casais mais midiáticos do mundo, retratando o namoro, o casamento e o seu final precoce. Para aqueles que não acompanharam a história do casal nos anos 90, a série não esconde o seu desfecho trágico. Logo na abertura, é possível perceber o que vai acontecer, quando há um corte abrupto e voltamos ao começo da história para entender como eles chegaram àquele momento definitivo de suas vidas. E esse “spoiler” da vida real não muda em nada a qualidade da produção, o que importa é como chegamos àquele final.

A família Kennedy é uma das mais famosas dos Estados Unidos, e seu nome causa impacto em diversos lugares do mundo, seja pelo poder político, pelas tragédias ou pelos escândalos em que se envolveram ao longo dos anos. Tudo isso chama atenção, desperta curiosidade e esta é utilizada em Love Story para mostrar um olhar mais próximo dessas pessoas que parecem tão inacessíveis. 



O conto da gata borralheira, a mulher que saiu do “nada” e conheceu o príncipe encantado, ganha uma releitura. Mas, diferente dessas mulheres dos contos de fada, Carolyn sempre foi independente e soube o que queria: tinha um emprego estável e uma posição de poder na Calvin Klein. Encontrar John e se apaixonar foi um acaso, não algo planejado. Observar como essa mulher se comporta diante de uma figura tão poderosa e carismática é um dos pontos altos da série. Apesar de tudo girar em torno dele, com todos os olhares voltados a John quando ele entra em qualquer ambiente, ele se volta para ela, é ela quem o faz girar em torno de sua vida.

A intimidade do casal é muito bem retratada em Love Story. O ar de comédia romântica dos primeiros episódios é leve, divertido e delicioso de acompanhar, arrancando suspiros daqueles apaixonados pelo gênero. Cada detalhe sobre os dois é magnético. Mesmo os problemas que enfrentam no início são interessantes e capazes de criar nos espectadores uma sensação de torcida: o casal precisa ficar junto no final. Cada toque, olhar e palavra trocada têm significado e ajudam a aprofundar a relação, construindo os detalhes até o momento derradeiro. O espectador é colocado ali como voyeur, observando a intimidade daquele casal.

Esse voyeurismo, que ajuda a compreender a vida do casal, também é essencial para entender a diferença entre o que foi real e o que era divulgado pela imprensa. A tragédia começa quando Carolyn precisa conhecer o restante da família e compreender como aquela dinâmica criada aos olhos do público funciona: como se portar, como aparecer diante das câmeras e como abrir mão de uma parte de sua intimidade, algo que ela não parece estar pronta para ceder. Ela escolheu John, e não a fama dele, mas inevitavelmente terá que lidar com o pacote completo. Estar com ele é fazer parte desse mesmo ciclo. É nesse momento que ela entende que sua vida nunca mais será a mesma: perseguida constantemente por paparazzis, exposta, destratada e humilhada, tudo para vender o próximo jornal ou a próxima edição de revista. Em muitos momentos, John parece impotente diante do sofrimento dela.



Carolyn é a mortal vivendo entre deuses e tendo que lidar com a fúria de outros mortais que desejavam o seu lugar. Love Story explora muito bem essa dualidade: o amor que ela sente por John e a raiva e frustração que acompanham a exposição constante de sua vida e as mentiras contadas a seu respeito. A produção não tem medo de expor os detalhes sombrios da relação entre os dois personagens e não tenta vendê-los como um grande ideal. Existem falhas e muito sofrimento envolto nesse romance, e esses altos e baixos impedem que os episódios caiam em qualquer tipo de monotonia.

Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette é um dos melhores trabalhos de Murphy em anos. Em produções anteriores, como a série sobre Jeffrey Dahmer, ele foi acusado de romantizar seu personagem principal, que era um homem hediondo. Porém, aqui, consegue encontrar um equilíbrio mais adequado entre realidade e romantização. A série é um começo empolgante para sua nova antologia, não havia maneira melhor de iniciar e mostrar que ele ainda é capaz de contar ótimas histórias.

A série Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette está disponível na Disney+.

Confira o trailer de Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette:

Love Story (História de Amor John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette)

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