Aqui Não Entra Luz - tópico 42 (1)

Aqui Não Entra Luz | Documentário de Karol Maia é selecionado para o Festival de Amsterdã

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Produzido pelo Apiário Estúdio Criativo, com coprodução da Surreal Hotel Arts, documentário, Aqui Não Entra Luz, busca honrar e reverenciar trabalhadoras domésticas

Premiado no 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com os troféus de Melhor Direção e o Prêmio Zózimo Bulbul (concedido por júri indicado pelo Centro Afrocarioca de Cinema e a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro – APAN), Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia, chega em novembro ao IDFA, Festival Internacional de Documentários de Amestrdã, um dos mais mais importantes Festivais documentias do mundo.

O longa foi selecionado para a Mostra Frontlight, que escolhe títulos que examinam criticamente a verdade e exploram artisticamente as questões urgentes do nosso tempo.

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Maia celebra o momento e comenta que sonhou muito em ver o filme em um grande festival como o IDFA. “Que bonito é ter isso se realizando e mais bonito ainda é saber que um filme com uma questão tão brasileira pode fazer sentido em outros países, com outras realidades”.

Distribuído pela Embaúba FilmesAqui Não Entra Luz reforça o potencial do cinema documental para provocar reflexões e para reposicionar as trabalhadoras domésticas como protagonistas da história do Brasil e de suas próprias histórias de vida. Para além da luta por melhores condições de trabalho, o filme lança luz sobre a beleza e a alegria dessas mulheres, sobre os laços familiares que constroem e os sonhos que realizam todos os dias. 

“Não é nenhuma novidade, mas as mulheres negras trabalhadoras domésticas sustentam esse país há séculos”, relata a diretora. A partir do seu olhar como cineasta, Maia revela que é importante “retratar as trabalhadoras domésticas a partir das suas subjetividades, conquistas e sonhos”.

Confira o trailer de Aqui Não Entra Luz:



A diretora, que iniciou o projeto em 2017 pesquisando a arquitetura das senzalas e dos quartos de empregada nos estados brasileiros que mais receberam mão de obra escravizada, contou que o filme foi se transformando junto com ela: “chegou um momento que foi inevitável não assumir que eu tinha alguma coisa a ver com essa história. Esse filme começou com um olhar mais prático e frio sobre o quarto de empregada e hoje eu entendo que é um filme sobre amor. É um filme que conta a história do Brasil e acredito que também é uma forma de honrar e reverenciar essas mulheres”, disse Maia.

A recepção calorosa do público tem ecoado na imprensa durante os Festivais. Para Maria do Rosário, da Revista de Cinema, a obra “tem o que Eduardo Coutinho sempre buscou em seus filmes: personagens que sabem narrar suas histórias. (…) Karol encontrou, com ajuda da pesquisadora Isabella Santos, quatro mulheres carismáticas, dotadas do poder da fabulação”.

Para Eduardo Moura, da Folha de S.Paulo, “mesmo tratando de temas pesados, o filme conseguiu despertar gargalhadas na plateia em certos momentos, tamanho era o carisma das personagens”.

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A crítica especializada também ressaltou a delicadeza do gesto de escuta da diretora, ao buscar conhecer profundamente as personagens que compõem o documentário. Para Bruno Carmelo, do portal Meio Amargo, “‘Aqui Não Entra Luz’ se prova um documentário tão belo e humano quanto popular”, elogiando a forma como Karol cria um espaço seguro para que as personagens falem “sem lágrimas, nem furor”, resgatando memórias de dor, mas também de potência e alegria.

Sinopse de Aqui Não Entra Luz

Entre memórias pessoais e pesquisas históricas, uma cineasta, filha de uma trabalhadora doméstica, percorre quatro estados brasileiros historicamente marcados pela escravidão. Ao investigar como a arquitetura foi projetada para segregar corpos e sustentar hierarquias, ela encontra mulheres que enfrentam esse legado e lutam para que suas filhas possam sonhar outros destinos.


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