Em Tudo é Tuberculose, John Green (autor de A culpa é das estrelas) lança olhar único sobre infecção mais mortal de todos os tempos e mostra como ela moldou o passado e o presente da humanidade.
John Green se tornou uma das vozes mais relevantes da literatura contemporânea com a publicação de romances como A culpa é das estrelas e Cidades de papel, que ganharam adaptações cinematográficas de sucesso e venderam mais de 5 milhões de exemplares no Brasil.
Em janeiro, ele presenteia os leitores com uma obra singular, na qual lança seu olhar sensível sobre a doença infecciosa que mais mata pessoas em todo o mundo. Em Tudo é tuberculose, eleito Melhor Livro de Não Ficção no Goodreads Choice Awards 2025, Green entrelaça um panorama histórico e social da enfermidade à jornada emocionante de um jovem que enfrentou a doença.
Em uma viagem a Serra Leoa, John Green conheceu Henry Reider, paciente do Lakka, hospital de referência no tratamento da tuberculose no país. Aos 17 anos, o jovem já havia passado uma década de sua vida lutando contra a doença. Apesar das dificuldades, fazia questão de animar os outros hospitalizados e comoveu o autor por lembrá-lo do filho, que tem o mesmo nome e jeito alegre. Impressionado com a história de Henry e com o imenso impacto da doença no país, Green se dedicou a pesquisar ostensivamente a enfermidade mais letal de todos os tempos.

O autor descobriu como a tuberculose esteve na raiz de grandes fatos históricos, que vão do início da Primeira Guerra Mundial à invenção do chapéu de caubói. Ele também destaca o papel de personagens importantes, como Sir Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes, que foi um dos médicos a pesquisar uma cura para a enfermidade, e o Dr. Alan Hart, homem trans, um dos pioneiros no uso da chapa de pulmão para diagnosticar a doença.
Ao retratar a história de Henry, Green demonstra como milhões de mortes poderiam ser evitadas anualmente com apoio financeiro para a prevenção e tratamento em países emergentes. Em Serra Leoa, por exemplo, além da indisponibilidade de medicamentos, a falta de alimentos, água e roupas quentes também compromete o tratamento dos pacientes. Por meio de dados e entrevistas com especialistas, o autor denuncia que a preservação de vidas é deixada de lado por órgãos governamentais e grandes corporações por não ser economicamente interessante.
John Green também discute como o racismo e a xenofobia se apresentam como obstáculos para a difusão da cura. No passado, quando a tuberculose havia se disseminado entre a maior parte da população europeia, era considerada uma doença “lisonjeira”, que deixava os homens mais criativos e sensíveis e as mulheres com aparência mais desejável para os padrões da época, pele pálida, rosto corado pela febre e magreza excessiva. Entretanto, com a popularização da cura no norte global, a tuberculose passou a ser associada a grupos marginalizados, como as populações pretas, asiáticas e LGBTQIAPN+.

“A doença de Henry, na verdade, não se devia ao bacilo de Koch, e sim às forças históricas com que nos deparamos ao longo deste livro. Henry era a encarnação da spes phthisica; um rapaz sensível e poético. No entanto, não era tratado como um poeta iluminado e belo condenado à morte pelas mesmas forças prodigiosas que o agraciaram com suas faculdades criativas. Sua doença era um produto do empobrecimento de Serra Leoa ao longo dos séculos, de um sistema de saúde esvaziado pela colonização, pela guerra e pelo ebola, de um mundo que parou de se importar com a tuberculose assim que ela deixou de representar uma ameaça para os ricos.”
Sobre o autor
John Green é um dos escritores norte-americanos mais queridos pelo público jovem e igualmente festejado pela crítica. É autor best-seller do New York Times, premiado com a Printz Medal, o Printz Honor da American Library Association e o Edgar Award, e foi duas vezes finalista do prêmio literário do LA Times.

Publicitário e jornalista que é apaixonado por cultura pop, coleciona tudo que vê pela frente, adora uma piada ruim e ama a revisora desse site.