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Superman | Bem-vindo ao novo Universo DC

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Dirigido por James Gunn, novo filme do Superman traz a vibe dos quadrinhos da DC, com muito otimismo e a promessa de uma nova era de heróis.


Antes de tudo, esse foi um texto difícil de nascer. Assisti Superman logo na estreia e desde então venho “sofrendo” pra escrever. O motivo? Minha cabeça apenas travou. Eram tantas coisas que gostaria de falar, que acabava me perdendo e o texto ficava um verdadeiro caos. Na real, ainda deve estar. Então, desculpe se eu divagar muito ou me perder em palavras e pensamentos. Saibam apenas que foi escrito de coração.

Sem mais delongas, gostaria de iniciar nossa jornada em 1978, no clássico estrelado por Christopher Reeve e dirigido por Richard Donner (Os Goonies) que, logo de cara, elevou o patamar das adaptações do homem de aço e definiu como ele deveria ser retratado no cinema. Até hoje, a abordagem de Donner e Reeve segue como um guia. 

Em 2006, na tentativa de trazer o personagem de volta, a Warner chamou o diretor Bryan Singer (X-Men e X-Men 2), que optou por uma “continuação” de Superman 1 e 2 (transformando os dois primeiros filmes de Christopher Reeve, cânones), mantendo um romantismo muito forte ao universo de Donner, mas o fato é que Superman: O Retorno, que é um filme que adoro e que até agradou a crítica, não empolgou o público. A bilheteria muito abaixo do esperado adiou uma sequência e isso resultou em O Homem de Aço, reboot dirigido por Zack Snyder anos depois.



Aqui é um ponto importante a ser falado, a Warner simplesmente não sabia o que queria fazer com a DC. Ela nunca enxergou o potencial de um universo compartilhado até o lançamento de Vingadores em 2012. Só pra ter uma ideia, tivemos em sequência: Lanterna Verde (2011), Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) e o próprio Homem de Aço (2013).

Na minha opinião, a proposta de Nolan (que foi o produtor de O Homem de Aço) e Snyder de mostrar um mundo mais “cru” e longe da abordagem de Donner foi acertada, pois foi um fruto daquela época. O problema foi a própria Warner, que resolveu trocar o pneu do carro com ele em movimento resultando na sabotagem de seu próprio universo. 

Já na TV, o personagem ganhou adaptações bem recebidas pelo público como Lois e Clark (1993-1997), Smallville (2001-2011) e Superman e Lois (2021-2024). São séries que retratam momentos diferentes da vida do herói e seguem, de uma certa forma, a essência do personagem. Contudo, atualmente, o Superman é um personagem difícil de ser trabalhado fora das páginas de quadrinhos e TV. E, veja bem, essas plataformas, embora possam alcançar muita gente, estão longe do alcance global de um grande blockbuster. Digo isso porque Superman e Lois é venerado pelos fãs e prova que dá pra fazer sim uma versão contemporânea boa do Super. 



Mas, de volta aos cinemas, por que é tão difícil? Simplesmente porque ser uma boa pessoa e fazer o que é certo está, aparentemente, fora de moda. Ou, então, ser uma pessoa esperançosa ficou antiquado. Existe uma discussão velha, porém muito verdadeira: é fácil demais fazer um Superman do “mal”, como nos games de Injustice ou na série The Boys, difícil é se manter fiel no espírito do personagem e conquistar o grande público.

Vivemos em uma época cada vez mais cinza, ao contrário dos anos 70/80, onde era mais simples separar “heróis” e “vilões”, não acham? Hoje, os anti-heróis são mais populares e o heroísmo altruísta acabou sendo deixado de lado. Isso faz com que o próprio Superman sofra com o tempo atual.  Além dele, ainda há um outro herói que segue nessa linha: o Homem-Aranha. Pensem comigo, o amigão da vizinhança é um cara do bem, que gosta de fazer a coisa certa e não se corrompe, mesmo que o mundo ao seu redor esteja desabando. Ele é um cara que não se deixa abater.

Sabem o principal motivo de vocês se identificarem com ele? Sua humanidade. E é nesse ponto que James Gunn acerta tanto em seu Superman, ele traz o homem de aço mostrando humanidade. Ao contrário do ser super poderoso e intocável, esse Superman é acessível! Um cara gente boa que você encontra pela rua, salva gatinhos de árvores e é confiável, um verdadeiro símbolo. E sabe o que é mais incrível disso tudo? Essa é a essência do Superman!



Além disso, o filme trouxe muitos elementos inéditos e comuns das HQs do Superman para a tela, como os robôs da fortaleza, Krypto e monstros gigantes, além, é claro, da interação com outros herois. Por sinal algo amplamente comentado, e que devo concordar, é que começar esse novo Universo DC com heróis estabelecidos, sem precisar necessariamente de uma história de origem, funcionou bem demais.

O próprio Lanterna Verde, que virou piada em todos os filmes do Deadpool, foi reapresentado ao público sem uma história de origem, como coadjuvante e foi extremamente elogiado. Isso anula a ideia de termos filmes de origem? Em hipótese alguma! Mas, se pararmos para analisar bem, o clássico desenho da Liga da Justiça usou a mesma lógica. E de verdade? A sensação que eu tenho é que esse foi um belo convite para embarcar nesse novo Universo DC, mas sem perder o foco em sua maior estrela: Superman. 

Apesar de termos diversos personagens interagindo com o azulão, o filme nunca perde o foco no Superman. A interpretação de David Cornsweet é leve, divertida e mostra muito mais do verdadeiro Clark Kent do que em seu “eu” disfarçado. Isso faz com que a gente se aproxime não só do Superman, mas do Clark também. Além disso, é muito legal vermos o Superman cuidando das pessoas e se preocupando até mesmo com os animais em cena. Ora, se Reeve, que literalmente salva um gatinho de uma árvore, é um exemplo a ser seguido, qual o problema de salvar um esquilo? 



A maior força do Superman sempre foi sua humanidade, é isso que faz ele ser um símbolo de esperança e de inspiração para as pessoas. Esse é o contraponto perfeito com Lex Luthor, genialmente interpretado por Nicolas Holt, que não consegue esconder sua inveja pelo homem de aço. Se tratando de cinema, essa foi a versão do Lex que mais gostei: frio, calculista, megalomaníaco, invejoso e ridiculamente inteligente, incluindo seu lado cientista louco. Ele ter criado um estilo de luta sob medida pra neutralizar os golpes do Superman (e ter decorado todos eles como um videogame) mostra sua genialidade e intelecto.

Esse é um dos elementos que me deu a impressão de ter assistido um filme do Superman bem GIBIZÃO mesmo. Me arrisco a dizer que foi o filme do Superman com mais cara de quadrinhos, principalmente aquelas histórias bem absurdas da era de prata. Todo o resgate do filho do Metamorfo no rio de antipróton, enquanto são sugandos por um buraco negro é absurda! Leia esse trecho de novo e me convença de que isso não saiu de uma página de gibi.

Por sinal, até mesmo na ação vemos o homem de aço usar mais do que a força bruta na hora de uma briga, James Gunn consegue dar a esse Superman desafios, tanto físicos como psicológicos e também de intelecto. Se você acha que ele “apanhou o filme todo”, recomendo que veja de novo o contexto dos vilões e daquele momento.



E claro que eu não poderia me despedir aqui sem antes falar de Krypto, outro elemento de quadrinhos que é muito bem utilizado e que já nos trailers havia ganhado o coração do público. O bichinho que rouba a cena todas as vezes virou marca registrada do diretor, já que em todas as recentes produções envolvendo super-heróis (Pacificador e Guardiões da Galáxia) ele colocou um pet que fez sucesso e não foi diferente com Krypto. Ele acertou em cheio com o cachorro caroço de manga!

E, bem, no momento em que escrevo isso, a sequência de Superman, intitulada como “The Man of Tomorrow” (O Homem do Amanhã) foi anunciada para 2027. O filme deve contar com uma inédita colaboração entre Superman e Lex Luthor, que precisam deixar as diferenças de lado em prol de um objetivo maior. Não sei vocês, mas essa premissa me deixa empolgado. Agora é aguardar o desenrolar dessa nova era da DC, com Pacificador, Supergirl e Lanternas (e ainda temos The Batman Parte 2 correndo por fora).

Por fim, posso garantir que fiquei feliz e satisfeito com Superman. James Gunn acertou em cheio e nos faz acreditar que o futuro da DC nos cinemas está em boas mãos, além, é claro, de nos fazer acreditar que o homem é capaz de voar.


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