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Suçuarana | Memória e Pertencimento

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Suçuarana é uma viagem entre o realismo e a fantasia na busca por acolhimento.


Suçuarana é um desses filmes mágicos que logo em seu início nos toma pela mão e nos conduz através de sua história. Acompanhamos Dora (Sinara Teles), uma mulher que parece não fazer parte de lugar algum, mas que insiste em procurar uma terra prometida, um espaço idílico, repleto de memórias de sua mãe, onde finalmente poderá se encontrar. Mais do que uma simples travessia pelas estradas de Minas Gerais, sua jornada é uma busca por identidade e pertencimento.

O fantástico se infiltra de maneira delicada, sobretudo na presença de Encrenca, o cachorro que guia a protagonista em meio a perigos e descobertas. Ao longo do caminho, Dora encontra acolhimento especialmente na figura feminina — mulheres que a abraçam e a protegem, oferecendo pequenas pausas em meio ao peso de sua errância. Ainda assim, há sempre uma barreira emocional que a impede de se entregar completamente, uma barreira que parece fruto de mais de uma década de caminhada solitária.



O filme não se acovarda politicamente ao não esconder as críticas que faz à exploração ambiental e social deixada pela mineração. Suçuarana explora muito bem a vida das pessoas que foram atingidas por essas grandes empresas, como foram abandonadas no momento em que o minério acabou e como elas encontram conforto umas nas outras e conseguem construir uma comunidade.



Há algo de poético na ideia de que, muitas vezes, o lugar que nos acolhe não é aquele que buscamos com tanto afinco. A memória pode ser uma prisão: Dora não enxerga, de imediato, os braços das pessoas à sua volta, prontos para lhe acolher. Nesse ponto, Suçuarana toca em uma ferida coletiva — a dificuldade de reconhecermos pertencimento em meio a um mundo que insiste em nos deslocar.

O resultado é um filme sensível e contundente, que articula realismo e fantasia, dor e acolhimento, ruína e renascimento. Um road movie que não percorre apenas as estradas do Brasil, mas também territórios internos, lembrando-nos de que, às vezes, o que realmente buscamos já se encontra diante de nós, esperando apenas que possamos ver.

Assista ao trailer de Suçuarana:


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