A família mais famosa da Marvel volta aos cinemas com um filme cauteloso, mas bem feito e digno do Quarteto Fantástico.
Um dos grandes “problemas” do MCU, apontado tanto por fãs, quanto pelo público em geral, é a “obrigação” (sim, tô usando muitas aspas nesse comecinho, eu sei) de assistir mais de 10 anos de produções (incluindo séries) pra poder entender alguma coisa. Ao se estabelecer em um universo paralelo, o novo Quarteto Fantástico dá um primeiro passo muito importante: o simples funciona. E, nessa altura do campeonato, era tudo que a Marvel precisava.
Antes do universo compartilhado virar obsessão nos estúdios, os filmes de heróis funcionam bem sozinhos. O próprio Quarteto Fantástico protagonizou duas boas produções (em 2005 e em 2007) que, confesso, só fui apreciar anos mais tarde. Não que antes achasse ruim, talvez um pouco água com salsicha. Em 2015, o Quarteto ganhou um novo filme (reboot) que, na época, achei legal, embora tenha sido massacrado pela crítica e pelo público. Mas, é aquilo, só o vi uma vez anos atrás e não tenho a menor vontade de reassisti-lo. Acho que isso deve significar alguma coisa.

Então, a questão toda aqui é: com os filmes de heróis passando por uma fadiga e o universo Marvel cada vez mais intrincado no multiverso (que virou uma muleta), como encaixar o Quarteto Fantástico nessa salada? Usando o multiverso pro bem. Ok, essa última frase soou meio hater, né? Mas foi mais pra dar uma provocada, adoro saladas! Contudo, confesso que um mundo mais simples me faz muito feliz, e foi o que aconteceu por aqui. Um mundo onde só existe o Quarteto, sem o drama da aceitação dos poderes que vem na história de origem (que já foi contada duas vezes) e de quebra sem a exigência de citar outros personagens.
Peço perdão pelo trocadilho infame no título, mas é a verdade, foi preciso dar um primeiro passo cuidadoso, mesmo trazendo um vilão do calibre de Galactus logo de cara. Não perder tempo com outra história de origem proporciona outras possibilidades narrativas, como o próprio filho do Sr. Fantástico com a Mulher Invisível. Um personagem já estabelecido nos quadrinhos, mas que só foi dar as caras no 4º filme produzido sobre a equipe lá atrás.

Mas, o que torna o Quarteto Fantástico essa joia tão especial nos quadrinhos? A relação entre seus personagens, que aqui já iniciam a trama super entrosados e com suas diferenças já deixadas de lado, mas não sem os problemas que toda família encontra. Ainda mais agora com a chegada de um novo membro.
A emoção do Tocha-Humana e do Coisa ao descobrirem que seriam tios é ótima (me contive aqui pra não dizer fantástica), pois me fez lembrar a sensação que eu tive ao descobrir que eu também seria tio (só os tios babões online). A liderança materna da Mulher-Invisível (na minha opinião, a melhor versão da personagem em live action) é um ótimo equilíbrio para o desequilíbrio emocional do Sr. Fantástico, que em algumas ocasiões se assemelha muito ao Sr. Spook, colocando sempre a razão à frente da emoção.

Quarteto-Fantástico: Primeiros Passos, me fez lembrar de uma época mais simples dos filmes de quadrinhos. Foi bom acompanhar uma aventura de super-heróis com uma história bem despretensiosa, que apesar de outras adaptações, não se sentiu presa ao passado e conseguiu apresentar novos conceitos e novas situações familiares.
E bem, o Quarteto será uma peça fundamental pro novo Vingadores, que terá o Dr. Destino como grande vilão. Sinceramente? Vai ser legal vê-los interagir com outros heróis, mas gostaria que a próxima aventura solo da equipe se passasse em seu universo, longe de toda a bagunça. Sim, eu gosto de bagunça, mas às vezes, prefiro os brinquedos na prateleira, sem riscos de serem quebrados acidentalmente.
Quarteto Fantástico – Trailer

Publicitário e jornalista que é apaixonado por cultura pop, coleciona tudo que vê pela frente, adora uma piada ruim e ama a revisora desse site.