Ato Noturno - Tópico 42 (1)

Ato Noturno | A Herança do Thriller Erótico

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Desejo, poder e voyeurismo em Ato Noturno, o thriller erótico queer de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher.


Em Ato Noturno, Marcio Reolon e Filipe Matzembacher evocam a força de um sólido thriller erótico. O filme herda a potência de um gênero que foi extremamente popular nos anos 1980 e 1990, sobretudo no cinema de diretores como Brian De Palma, ao mesmo tempo em que faz uso do voyeurismo característico da obra de Alfred Hitchcock.

Matias, um jovem e ambicioso ator, se envolve com um político influente, construindo uma relação ambígua marcada por desejo e poder. Assim como na peça em que trabalha, a vida de Matias (Gabriel Faryas) é construída como um palco, no qual ele deve encenar tudo de forma correta para alcançar seus objetivos.



Tal qual nos filmes que parecem inspirá-lo, o desejo em Ato Noturno nunca surge de um lugar de inocência, mas está sempre envolto por estruturas de poder, controle e dominação. A relação entre Matias e Rafael (Cirillo Luna) se estabelece distante do afeto, inicialmente como algo casual, que gradativamente passa a tomar controle de suas vidas e a ser utilizada, de forma intencional ou não, para alcançar os objetivos de cada personagem, misturando intimidade e interesse.

O filme se apoia em uma tensão prolongada e utiliza muito bem o silêncio para construir o erotismo e a expectativa do ato subsequente, seja em cenas sexuais ou em momentos nos quais algum personagem aparenta estar sob ameaça. O sexo é usado como gatilho narrativo, desencadeando culpa e paranoia, enquanto o prazer carrega consigo uma ameaça constante.



O voyeurismo também se faz fortemente presente. Há uma constante sensação de observação, seja ao acompanhar os atores no palco, seja em momentos de intimidade nos quais apenas duas pessoas estão em cena. O olhar surge como uma forma de ameaça para aqueles que se escondem por trás de seus segredos; o observador clandestino é um perigo constante no filme, aquele que parece ter o destino dos protagonistas em suas mãos.

Ato Noturno não apenas revisita o thriller erótico, mas se apropria do gênero a partir de uma perspectiva queer pouco explorada no cinema. Apesar de suas inspirações, o filme não deixa de trabalhar com o novo e de se arriscar, ao abordar sexualidade e conservadorismo enquanto trata da ambição e dos desejos de seus personagens. Ao entrelaçar ambição e desejo, a narrativa constrói um percurso obsessivo que se recusa à simplicidade, culminando em um desfecho coerente com tudo aquilo que o filme se propõe a investigar.

Com distribuição da Sessão Vitrine Petrobras, Ato Noturno está em cartaz nos cinemas.

Ato Noturno – Trailer


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