Em Princess of Power, a cantora galesa mostra seu amadurecimento como mulher e, consequentemente, como artista e quase reedita toda a sua obra num maravilhoso “Ju-u-u-uice” de amor e empoderamento.
Primeiramente, esse texto vai soar mais pessoal do que deveria porque Marina é uma cantora mais pessoal que muitas. Aliás, talvez por isso exista esse meme (nascido da própria fanbase) de que Marina — ex-and the Diamonds — nunca vai chegar ao mainstream. O mainstream é o lugar comum, onde a artista fala com todo mundo e ninguém ao mesmo tempo. E esse definitivamente não é o caso dela.
Minha relação com essa galesa de 39 anos que eu nunca conheci na vida é extremamente íntima. Ela fala comigo a ponto de, às vezes, eu me perguntar:
“Será que essa moça tá saindo com o mesmo boy que eu?”
“Como a gente sente tão igual em contextos tão diferentes?”
Mas não é só sobre boys.
Marina canta a minha vida desde que eu tinha 15 anos e ela lançou o Electra Heart. Meu Deus! Como eu senti aquele álbum! Não só eu, como milhares de criaturas que, desde ali, se encantaram com ela e formaram sua fanbase, os Diamonds, em homenagem a um nome que hoje só sobrevive no sobrenome da artista — Marina Diamandis.

Aos 39 anos, Marina volta pra casa com seu novo Princess of Power. E que power! Nas letras, nos visuais, e até nas melodias, ela invoca seu primeiro álbum (Electra Heart, 2012), mas não para fazer mais do mesmo, fórmula que o pop adora repetir. Não. Marina quer provar que cresceu. Ela não é mais uma Teen Idle, ela é a Adult Girl. E faz isso usando um contraste que emociona quem esteve ali desde o começo.
Sempre considerei o Electra meu hinário, minha bíblia particular, que traduzia meus sentimentos de forma audiovisual (até porque os clipes daquela era eram o auge do Tumblr). Mas recentemente o álbum me trazia mais nostalgia do que qualquer outra coisa. Até eu dar play no vídeo de Cuntíssimo, em abril deste ano.
Era o Electra!
Mas pera… essa moça já não está mais tão borocoxô!
Ela se encontrou entre castelos na Itália e vestidos de luxo. Agora ela é a estrela — e estará brilhando onde quer que você vá! Marina se coloca no papel de protagonista do próprio álbum com perfeição e maestria. Canta a liberdade de ser mulher, de nadar topless na praia, de transar onde quiser, de viver suas próprias montanhas-russas emocionais com peito aberto.
Eu sempre considerei o Electra meu hinário — mas em 2012 não tinha Spotify. Hoje em dia, esse hinário existe em forma de playlist. Uma playlist onde só entram canções que falam muito perto do meu coração (é sério, eu sou MUITO seletiva com isso).
TODAS as músicas do P.O.P estão nessa playlist.
E sim, até nessa abreviação essa mulher pensou com carinho.

Princess of Power é um álbum cheio de amor.
Um amor puro.
Um amor de Marina para Marina — que, no caminho, empodera todo mundo que ouve com atenção. É o registro de uma artista que passou por poucas e boas mentalmente — como eu também passei — e como isso influenciou seu processo criativo de forma que voltar às origens foi libertador.
A princesa do poder abraça a Electra com o coração na bochecha e a avisa:
quanto mais você se amar, mais alto vai chegar.
E desse pedestal, ela não sai mais.
Obrigada por traduzir todos os meus sentimentos adolescentes. E — bizarra e lindamente — fazer isso com a mesma precisão agora, na fase adulta.
I <3 YOU!
Confira Princess of Power, novo álbum de Marina, clicando AQUI.

É jornalista, mas resolveu deixar essa carreira pra mais tarde e se jogar no mundo. Atualmente, se divide entre as aulas de inglês das quais é professora e o futebol inglês, pelo qual é apaixonada.